Moda do mês: Cannes disse que é proibido descer do salto.

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No mês passado, aconteceu a premiação de cinema de Cannes. Todo ano, desde 1946, o Festival Internacional de Filmes, além de premiar grandes obras, recebe as maiores estrelas do cinema mundial. Claro que um evento desse porte e história pede por uma vestimenta de gala e nunca menos que isso. Os astros do cinema chegam para o seu tapete vermelho vestindo as melhores, mais conhecidas e mais caras marcas do mundo da moda. E, claro, que se os grandes astros estão lá, a imprensa mundial também estará. Toda essa estrutura não foi em nada diferente do comum no mês passado. Só uma coisa chamou atenção do público e repercutiu pelo mundo inteiro e impactou bastante o mundo da moda: os seguranças do festival não deixavam mulheres que estavam sem salto alto entrarem no evento. Continuar lendo “Moda do mês: Cannes disse que é proibido descer do salto.”

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Moda do mês: Elle X Vogue – que a melhor publicidade vença!

Capas

No último São Paulo Fashion Week, a supermodel Gisele Bündchen deu adeus às passarelas com um último desfile recheado de lágrimas para a Colcci, marca que abriga a modelo (ou seria abrigada por ela?) há anos. Reconhecida mundialmente, Gisele chamou atenção da mídia internacional no mês de abril com a sua aposentadoria e era óbvio que a guerra para de capas com über modelo já estava rolando desde os rumores de tal anúncio. Não posso afirmar ou descrever como foi essa luta, mas imagino que de certo foi animalesca. Saiu como vencedora a revista Vogue, trazendo a modelo gaúcha artisticamente nua como capa. O artifício serviu também para a comemoração dos vinte anos da revista no Brasil. Unir o útil ao agradável ficou para o passado. Dessa vez, uniram o bombástico – histórico  ao lucrativo.  Jogo ganho. Continuar lendo “Moda do mês: Elle X Vogue – que a melhor publicidade vença!”

O figurino de Downton Abbey.

Há alguns meses atrás fui à uma palestra no Festival do Rio sobre o figurino da série Mad Men com Janie Bryant, a responsável por vestir cada personagem da série. Lá foi o momento em que me apaixonei por figurino e acabei passando a observar mais e melhor como o figurino é montado em cada série. Assim como o cenário, o figurino é um dos principais responsáveis pelo nascimento do clima da obra. Através dele conseguimos identificar a época em que a cena se passa, características de cada personagem e as consequências do enredo para a vida dos mesmos. Foi com isso em mente que resolvi escrever um pouquinho aqui sobre o figurino de Downton Abbey.

Não conhece Downton Abbey?

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Criada por Julian Fellowes, Downton Abbey se passa no início do século XX (começando mais precisamente em 1912), na propriedade de mesmo nome, e acompanha a vida da família aristocrata Crawley e seus criados. Ganhadora de vários prêmios desde a sua criação em 2010, a série possui uma produção estonteante e exigente. O elenco foi escolhido a dedo e conta com a magnífica Maggie Smith (eterna professora Minerva em Harry Potter). O cenário é típico da época e da necessidade de uma família nobre, consequentemente extravagante e elegante, complicadíssimo de se por em pé, desafio que a série domina perfeitamente. A fotografia, aliada a esse cenário incrível, não poderia deixar de ser maravilhosa. E, bom, o figurino eu deixo para o resto desse post.

A trama da série nos guia pelas dificuldades da família em adaptar-se a esse novo mundo que o século XX traz consigo. Chegam a eletricidade, o telefone, as guerras, o voto feminino e muito mais, que fazem com que essa antiga família tenha que se acostumar com uma nova situação em pouco tempo. A tolerância diminuta a tais mudanças é que fazem o enredo de Downton Abbey tão interessante. É muito intrigante ver como serão as reações de cada membro dos Crawley para cada mudança específica.

O figurino que me conquistou.

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Tentando acompanhar cada momento dos personagens, de Downton e do mundo, o figurino é inquestionavelmente perfeito. Para entender um pouquinho melhor, preciso explicar básica e brevemente que a moda a partir do século XX se revolucionou. Cada década trazia uma nova tendência, uma nova necessidade e uma nova requisição. Isso fica bastante claro com, por exemplo, o encurtamento dos vestidos na década de 1920 e o abandono definitivo do espartilho e cintas na década de 1960. Ao contrário de uma moda estática e secular, a do século XX mudava de acordo com o que o público queria e precisava, muito mais instantânea.

Essa constante readaptação fica clara em Downton Abbey. Julgando sempre a moda menos vulgar – de acordo com os padrões da aristocracia da época – como a melhor a ser seguida, cada personagem tenta se vestir de acordo com as tendências da época, obedecendo a estética aristocrata e acompanhando a sua personalidade. Um baita desafio para a figurinista responsável, Caroline McCall.

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Pessoalmente, os meus favoritos são as roupas da Lady Mary (Michelle Dockery) e Violet Crawley (Maggie Smith). São, talvez, as personagens mais desafiantes para vestir, uma vez que são uma caixinha de surpresas e mudam constantemente de opinião.

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O trabalho de Caroline McCall foi tão procurado e debatido que uma exibição dos figurinos de Downton Abbey roda a Inglaterra e chama a atenção do público sob o nome de Costumes of Downton Abbey.

Downton Abbey é uma série mais que recomendada. Tanto para aqueles que gostam de obras históricas, aos que apreciam uma boa produção ou os apaixonados por figurino. Podem começar a ver!

O que aprendi sobre Coco Chanel em Dormindo com o Inimigo.

Nossa, muita coisa. Eu já tinha lido uma biografia dessa famosa estilista (Coco Chanel – A Vida e a Lenda, de Justine Picardie), em que pude conhecê-la melhor. Esse livro foi a minha introdução na vida da estilista e o indico também àqueles que queiram saber um pouco mais quem era a mulher por trás do famoso tailleur e da lenda do pretinho básico. Além de livros biográficos, contamos com vários filmes de mesmo viés (fiz um post há pouco tempo sobre eles, clica aqui!).

Para os desavisados, Coco Chanel foi uma estilista francesa que durante o início do século XX revolucionou o guarda-roupa da mulher e se tornou um dos maiores sucessos da moda. Só que por trás disso e mais importante ela era uma mulher em uma época que as mulheres não tinham voz. E esses livros nos fornecem as duas visões. Especificamente em Dormindo com o Inimigo, de Hal Vaughan, o livro foca no relacionamento que Chanel teve com um a gente nazista durante a Segunda Guerra Mundial na ocupação alemã na França. Eu me interessei de cara pelo enredo só de ler a sinopse, comprei o livro mesmo achando que seria uma leitura cansativa (o que não é, acabei engolindo o livro) e, através de um ataque autoral muitas vezes ácido, pude ver mais uma camada de Coco Chanel e aprender algumas coisas.

Nº 1 – Chanel se inspirou em diferentes nacionalidades dos seus namorados para criar suas coleções.

Primeiro com Boy Capel – o primeiro amor da sua vida, ela se inspirou nos suéteres do inglês, adaptando os ao vestuário feminino, o que fez grande sucesso na época da Primeira Guerra Mundial, uma época em que a praticidade estava além do glamour. Anos depois ela se inspirou na Rússia do seu novo amor o Grão-duque Dimitri, membro foragido da família real, para uma nova coleção – e ele foi um grande apoiador para a criação de um dos perfumes mais famosos da história, o Chanel Nº 5.

Nº 2 – Se você acha que ao comprar o Nº 5, está mais perto da Mademoiselle Chanel, pode esquecer.

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Na verdade, você está dando lucro a empresa dos irmãos Pierre e Paul Wertheimer. Os dois associaram a Chanel para criar uma empresa da estilista responsável pela criação e o comércio de seus perfumes ao redor do mundo. Eles foram os grandes responsáveis pela riqueza de Chanel, contudo, a estilista não os via dessa forma. apesar de anos e anos de sociedade, Coco sempre achou que recebia menos do que deveria e tentou algumas vezes reaver sua empresa. Mesmo assim, os irmãos sabiam o que faziam e não perderam a empresa durante todo esse tempo.

Nº 3 – Chanel era antissemita.

Isso era bastante comum naquela época. Muitas pessoas culpavam os judeus pelas tragédias do mundo e não é preciso falar que o seu estopim foi na Segunda Guerra Mundial. Esse sentimento muitas vezes tornou o relacionamento de Chanel com os irmãos Wertheimer complicado, uma vez que eles eram de descendência judaica.

Nº 4 – Os amantes de Chanel se encantavam por ela.

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Uma típica mulher francesa só que mais durona. Chanel não sabia viver sozinha. Sempre cercada por muitos admiradores, Coco buscou sempre pelo amor, mesmo ao final da vida. Entre os homens em sua vida estão Igor Stravinsky, o poeta Pierre Reverdy (que considerou Chanel o grande amor de sua vida), o Duque de Westminster (que queria domar Chanel, mas não conseguiu), Boy Capel (seu primeiro grande amor), Etienne Balsan (o primeiro romance), Hans Günther von Dicklage (o romance inspirador do livro) entre outros.

Nº 5 – Seu número da sorte.

Chanel era oportunista declarada. Adepta ao se não pode ganhá-los junte-se a eles, foi acusada de trabalhar para os nazistas durante a ocupação de Paris, através do seu romance com Dicklage, pertencente a Gestapo. Tudo indica que ela usou de seus contatos para ajudar os alemães, enquanto estes ajudavam ela em, por exemplo, resgatar seus amigos e família, como André Palasse, seu sobrinho preso em um campo de concentração, e sua amiga Vera Lombardi, que enfrenteva problemas na Itália de seu marido por ser inglesa. Uma mão lava a outra. Chanel, mais tarde foi julgada pelo tribunal de Charles de Gaulle, mas acabou não enfrentando penas graves.

Além desses pontos, podemos colocar sua infância sombria, sua velhice solitária e seu curto trabalho em Hollywood, mas para quem se interessar, pode ler o livro, que é muito bom e eu recomendo.

Chanel e o cinema.

Desde que me apaixonei por moda, Chanel roubou a cena como minha design preferida. Assim, busco sempre que posso saber um pouco mais sobre a sua vida, sua carreira e seu legado. E, com certeza, não sou a única. Muitos ao redor do mundo cavam mais fundo na história misteriosa de Coco Chanel, na infância distorcida e propositalmente intocada, sua juventude corajosa e perdida, na sua persistência vital. Além de inúmeros livros dedicados à sua história, o cinema também se ofereceu como matéria de exploração e exposição dessa mulher que transformou a moda e o corpo da mulher no início do século XX. Resolvi destacar algumas experiências que tive com Chanel no cinema para compartilhar com vocês.

⇒ Coco Chanel (no Filmow ) – 2008

Feito para TV, o filme retrata a vida da estilista de trás para frente com Chanel mais velha, interpretada por Shirley Maclaine, relembrando o seu passado. Para mim, foi uma visão mais romântica da vida dela, porém uma das mais completas.

⇒ Coco antes de Chanel (no FiImow) – 2009

Demorei um pouco para gostar desse filme. Tive que primeiro entender que cada país tem particularidades no seu próprio cinema, e muitas vezes dentro dele ainda tem muitas outras mais. Depois disso, cheguei a ganhá-lo de uma amiga, na época ainda não gostava, mas agora agradeço (obrigada, Teph! 😉 ). De uma forma bem francesa, ele resume a estrada que Chanel tomou para se tornar o grande nome da moda em uma época em que a mulher pouco podia fazer para ter um nome e uma carreira. Além disso, conta também com a eterna Amélie, Audrey Tautou.

⇒ Coco Chanel & Igor Stravinsky (no Filmow) – 2009

Após seu amante, amigo e sócio Boy Capel morrer, Chanel entrou em um luto criativo. Nessa época, o pretinho básico foi criado e Chanel mergulhou na vida cultural de Paris. Ali ela conheceu Igor Stravinsky, um compositor clássico em crise, pai de uma família grande, marido de uma esposa doente e um músico vanguardista. O filme retrata o affair entre o músico e a estilista durante o período em que Stravinsky morou na casa de campo de Chanel. Com um toque muito mais realista, o filme é imperdível.

⇒ Duas indicações que ainda não vi: Signé Chanel (no Filmow) e Chanel – A Solidão de uma Mulher (no Filmow)

Prometo que assim que possível verei os dois! Mas, acho que as indicações são válidas porque os dois tem visões bastante diferentes. O primeiro Signé Chanel é um documentário de 2005 que trata do dia a dia da marca Chanel, sob direção de Karl Lagerfeld, desde o processo de criação até as passarelas. São cinco episódios e é bem interessante, principalmente para quem quer trabalhar no mundo da moda (presente!). No youtube,  existe o documentário completo. O único problema é que ele é em francês com legendas em inglês, mas para quem sabe pelo menos uma das línguas o problema está resolvido!

Já o segundo, Chanel  –  A Solidão de uma Mulher, é interessante por ser mais antigo, de 1981 (para quem não sabe apenas dez anos depois da morte de Coco Chanel). Não tenho muito o que comentar sobre o filme, a não ser que está completo no youtube – com péssima qualidade porque foi extraído de VHS e em inglês – e que tentarei ver e opinar o mais rápido possível! 🙂

Bom, é isso! Espero que gostem da seleção e que se divirtam nesse mundo Chanel.