Biscoito da Sorte.

Fonte: http://umbrinco.com/blog/wp-content/uploads/2012/07/atelie_3_marias.JPG
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Amanda chegou em casa cansada. Tirou os tênis, a calça jeans, se libertou dos arames do sutiã e colocou seu pijama mais surrado depois de um banho relaxante. Antes de pensar em qualquer tarefa, seu estômago gritou, pedindo que, pelo amor de tudo que é mais sagrado, colocasse alguma comida no corpo. Ela abriu a geladeira e viu com pesar que daquela geladeira só sairia ar frio mesmo e olhe lá. Era a terceira comida de telefone na semana e era só quarta-feira. Deixou uma nota mental que não poderia mais fugir do mercado no dia seguinte. Não importa o quanto você não suporta mercado, Amanda. Se você não for, vai começar a passar fome porque não ligaremos mais para comidas prontas, fast foods ou qualquer outra da mesma laia. Já tinha sido pizza, comida mexicana e esfirra, hoje seria um bom yakisoba. Enquanto esperava a entrega, lavou aquela louça de sei lá quantos dias acumulada, criando raízes em sua cozinha. No último prato sujo, agora limpo, guardado, ouviu a campainha. Finalmente.

Depois de mais uma refeição não saudável e deliciosa, reparou no pacotinho grudado na caixa: o biscoito da sorte. Amanda não era de acreditar muito em superstições. Defendia que quem monta o futuro é a própria pessoa e ponto final. Mas sempre achava divertido dar uma bisbilhotada no horóscopo de revista de vez em quando, e ler a sorte daquele biscoitinho de toda comida chinesa. Abriu o pacote, quebrou o biscoito, pegou o papel em branco e… Hã? Em branco? Virou seus dois lados e nada. Nenhuma mensagem. Nenhum número para apostar na loteria. Nada. Só uma fita de papel branco e amassado. Comeu o biscoito encucada. Ah, deve ter sido só um erro do pessoal do restaurante. Nada que seja muito importante. Vou deixar isso pra lá.

E foi exatamente o que fez. Deixou pra lá enquanto tentava dormir e a insônia não deixava. Nem sequer lembrou do biscoito enquanto escovava os dentes encarando o espelho. Muito menos no ônibus indo para o trabalho. Lá então, ficou totalmente focada no assunto e na meta do dia. Na fila do supermercado então… As revistas de fofoca sobre novela eram mais interessantes. Deixou tanto de lado que nem ligou para o restaurante para perguntar se outros biscoitos vieram da mesma forma e se eles tinham recebido reclamações sobre isso. Claro.

Por que cargas d’água sua sorte veio em branco? Isso era o destino pregando uma pegadinha nela? O que aquilo tudo queria dizer? Que ela não tinha futuro? Tantas perguntas para tão pouco tempo. Ela tinha um trabalho que gostava. Relativamente. Tinha um apartamento que era bom. Relativamente. A vida era boa. Relativamente. Tinha gente que estava em situações piores, sabe? Isso tinha que ser mantido em mente. Era só que… Bom, era um pensamento um tanto egoísta e ela não se sentia confortável com isso, mas… Tinha gente em situações melhores também. Mas, pensando bem, qual a influência que um papel de biscoito da sorte pode ter na sua vida, nas mudanças em sua vida?É só um pedaço químico de uma ex-árvore que se tratado errado poluirá o ambiente.

Esse poluidor, no entanto, fez pior: mostrou a ela a sua própria angústia, seu próprio medo. Amanda temia ter uma vida sem sentido e mediana. Ser simples era um pavor de menina já que sempre sonhou que seria extraordinária. E adivinhem para aonde sua vida a levou? Simplicidade. Medianidade. Sua vida a conduziu para o seu pior pesadelo. Ser insatisfeita consigo mesma. E esse papel era só mais um maldito lembrete disso. Algo gritando na sua cara que… Seu futuro, seu querido futuro estava em branco! Que nada viria para ele! Mas… Uma folha em branco era o melhor jeito de começar um desenho. Tudo o que você precisa, Amanda, é apontar o lápis e, bom, começar.

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Vamos nos embebedar com nossas lágrimas.

Fragmento de Mulher Chorando de Pablo Picasso
Fragmento de Mulher Chorando de Pablo Picasso

Assumi tem pouco tempo que faço parte daqueles que se inspiram na tristeza. Sei que não parece ser nada de mais, mas a sociedade pede para que vivamos num constante estado de felicidade que, sinceramente, não acho que exista. Ainda não inventamos uma receita pré-cozida para alcançar o nirvana. Cinco minutos no forno e pronto! Então, eu uso o que tenho pra hoje e normalmente o que eu tenho são alguns suspiros melancólicos no meio de um cotidiano estressado. Já sofri por eu ser assim, mas aprendi a usar esse jeito de ser a meu favor. E, bom, acho que não sou a única na história, muito menos a melhor, mesmo assim não estou sozinha.

Quando Chico Buarque pede para que quem inventou a tristeza fazer o favor de desinventar, eu entro na briga e digo pro cara deixar a tristeza intacta. Tenho pra mim que a maioria das obras de artes mais belas foram criadas nos mais profundos momentos de sofrimento. Ernest Hemingway não escreveu seus livros sobre campos de girassóis e festas intermináveis. Duvido que isso venderia e ele tivesse se tornado tão importante na literatura. A tristeza pede para nos expressarmos, grita por uma lágrima, implora por um resultado. Enquanto a felicidade, a maldita felicidade, nos imobiliza e lá ficamos nós, um bando de bobos com um sorriso na cara, olhando o tempo passar. Improdutivos.

Essa tese crua e simples sobre a tristeza como forma de inspiração admite que há um limite. Quando ela atinge níveis estratégicos, a tristeza evolui para a melancolia, deixando-nos nos mesmos aspectos que a felicidade. A diferença que importa é que, quando felizes, nós tendemos a desligar a inspiração porque queremos aproveitar o momento, ao passo que a necessidade de colocar tudo para fora de alguma forma durante nossos momentos de sofrimento proporciona os melhores resultados artísticos já vistos pela humanidade. E, olha, não precisa ser uma tristeza de causas pessoais. Olhem para o Guernica e digam se aquilo não é brilhante?

Ainda tem mais, acho a tristeza mais criativa. A felicidade me soa repetitiva demais, como se de todas as razões que nos causam qualquer tipo de emoção culminassem nas mesmas expressões. Já a tristeza consegue se desdobrar tanto e de tantas formas que sempre me surpreende. Sabe a história do poeta ser um fingidor? Que finge que é dor a dor que deveras sente? Com certeza, você já ouviu esses versos. A tristeza é o combustível do poeta mascarado que se passa pelo o que quiser ser, quando e como quiser.

Enquanto escreve este texto, a autora busca por pretextos para defender a dificuldade de se abandonar a tristeza e tentar ser mais feliz. É, talvez não tenha assumido a tristeza assim tão completamente… 

O que muda em 2015.

Fonte: http://www.damadogelo.com/2014/12/sobre-o-fim-de-ano.html
Fonte: http://www.damadogelo.com/2014/12/sobre-o-fim-de-ano.html

Para começar, 2015 já chegou fazendo o impossível: fui à praia. Tudo bem, mesmo não entrando no mar, fui à praia em dias consecutivos. E se 2015 pode me levar a praia, amores, ele poderá fazer muito mais. Por enquanto, estou de férias e em processo de readaptação em diversas áreas da minha vida. Apesar de por fora ter mudado pouca coisa, já coloquei na minha cabeça preguiçosa que esse ano é o momento de dar alguns muitos primeiros passos. E, claro, vou compartilhá-los com vocês!

Como já falei por aqui, adoro fazer listas. Das mais variadas, o meu caderno/agenda/anotações/tudo de 2015 já tem desde a lista das férias até a do ano, de filmes, de livros, bom, deu para entender, não é? Pois então, nessas confusões de vontades ainda não concretas vou me dedicar ao máximo a torná-las realidades.

Ok, e o que muda para o Andanças e Devaneios?

Ora, bastante coisa e ao mesmo tempo nada. Calma, calma, deixa eu explicar. Tenho alguns planos para o blog, mas que não poderão se realizar assim num piscar de olhos. Alguns ainda estou bolando e outros já começam a entrar em ação. Para esse ano, quero escrever mais esses devaneios que pipocam na minha cabeça, espero que gostem. Além disso, continuarei a fazer minhas resenhas e críticas de livros e filmes, respectivamente. E vocês ainda verão por aqui algumas dicas de exposições ou atividades culturais que indicarei.

Como me interessei de fato pela blogosfera há pouco tempo, ainda sou uma aprendiz, porém cheia de entusiamo que promete melhorar cada vez mais esse cantinho. Sintam-se livres para dar sugestões também! Não precisam ficar com vergonha 🙂 . Ah, tentarei ficar mais atualizada nas redes sociais que vocês acompanham aqui do blog e algumas outras.

Um novo desafio para o ano é o Mais Filmes em 2015, em que contarei para vocês o que achei de alguns filmes vistos por mês. Vocês podem entender um pouquinho melhor sobre ele na página desse menu (dentro do menu Desafios, ou aqui). O primeiro filme já foi visto e já estou ansiosa para compartilhá-lo com vocês. Quero buscar uns filmes diferentes, que fujam ao máximo possível dos blockbusters para vocês poderem conhecer esse outro lado do cinema. Uma outra novidade pequetita, mas que vai ajudar muito é a minha versão da TBR Jar (to be read jar). Na falta de uma jarra, coloquei todos os nomes dos meus livros ainda não lidos em um copo do Starbucks e sortearei de vez em quando qual será o próximo livro a ser lido. O objetivo: esvaziar esse copo.

Continuarei com o projeto de leitura da Rory Gilmore (Rory Gilmore Book Project), que como está explicado no menu é para a vida. Tirei esse ano para tentar ler o máximo possível até a bienal em setembro, incluindo vários clássicos que estão na lista da Rory. Outro desafio que continua é o 101 coisas para fazer em 1001 dias. Este está bem misturado e todas as coisas que realizo que acho que iriam gostar, serão compartilhadas com vocês.

Vou tentar deixar esse cantinho da internet mais confortável para vocês e, como eu disse, estarei sempre aberta a sugestões! Que venha um 2015 cheio de novidades, mudanças e felicidade!

Mãe, para você.

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          Minha mãe sonhava com um amor que fosse intenso e aventureiro, mas a vida lhe deu um paciente e calmo. Ela também queria uma mãe igual e companheira, mas ganhou uma ouvinte desafiante e repleta de carinho. Minha mãe é leonina. Ela queria muita coisa, costumava sonhar bastante. Acima de tudo, ela queria ser mãe: queria ter sua Isabella. Sim, sempre foi Isabella e assim foi (mesmo com uma prima minha xará).

          Mãe, você ganhou algumas coisas tortas na vida, mas eu estou aqui, não é mesmo? Não sou três, nem Carlos Frederico e muito menos perfeita, mas estou aqui e sempre estarei. Não importa o quanto eu diga A e você, B. Não importam os desafios que a vida nos der: eu sempre estarei aqui. Não importa aonde eu esteja no mundo, você é aquela pessoa por quem eu pegaria o primeiro avião. Você é alguém por e para quem eu escreveria esse texto em um ônibus, segurando o choro.

          Minha mãe é a pessoa mais forte que eu já conheci. Não porque ela não cai em nenhum obstáculo, ela não é Deus, mas porque ela consegue se levantar após cada um que a vida teima em colocar na sua frente. Ela é dona dos olhos aparentemente tristes, porém não se engane, o olhar dela sabe brilhar mais do que o sol. Quando vem acompanhado da sua risada então… Aí só melhora. Minha mãe, a gerente da pousada, é a melhor mãe do mundo – mas eu te perdoo, leitor, se você discordar, apesar que se você a conhecesse, pensaria duas vezes e talvez me desse razão.

          Aqui, mãe, peço desculpas por todas as malcriações de criança, todas as teimosias de adolescente e por todas as brigas. Assim como agradeço por todas as lições, por todas as gargalhadas, por todo o carinho, por toda a paciência, por todas as piadas, por todo o investimento, por todas as boas memórias, por todos os momentos que me deixou ser a sua mãe, por ser minha melhor amiga e, acima de tudo, por todo o seu amor. E a Deus: obrigada por deixar ela ser minha mãe.

 

Felicidade, sem título.

Fonte: http://myloov.tumblr.com/page/30
Fonte: http://myloov.tumblr.com/page/30

          Nas últimas férias, troquei emails com uma amiga enquanto não nos víamos. E um deles falamos da energia dos locais. Não vou começar a discutir sobre religião e crenças porque acho que não sou madura o suficiente para o peso de tal discussão (e talvez nunca serei). Quando falo de energia, quero dizer o que alguns chamam de clima ou ânimo.  No email, falamos que acreditamos que essa energia pode influenciar nosso cotidiano.

          Essa nossa conversa me bateu na cabeça hoje (agora, há alguns dias atrás), dentro do ônibus, a caminho de casa quando troquei a estação do rádio e comecei a ouvir as primeiras notas de Starships da Nicki Minaj. Não é sobre ela, no entanto, que eu vim falar. Você pode gostar ou não dessa música, mas não dá para negar que ela é animada. Justamente por isso que na hora em que ela começou a primeira coisa que pensei foi em quanto tempo não ouvia uma música feliz (vamos ignorar a letra, nesse caso). Parei para pensar e meus dias estão soando Parachutes, 21 e Back to Black. Percebi instantaneamente que precisava escutar algo alegre para mudar um pouco a energia ao meu redor.

          Pare para pensar: quanto as pessoas e objetos ao seu redor influenciam no seu dia? Não dá para dizer que é pouco. Se você tem seu trabalho, sua faculdade, ou simplesmente vai à rua, seu comportamento ganhará pequenos (ou grandes) retoques. Seja agora, seja no futuro, as pessoas ao seu lado, junto aos seus trabalhos, farão com que você se remodele, nem que seja um pequeno momento de reflexão, até mesmo reencaminhar sua vida por completo.

          Contudo, uma frase que a Regina, personagem de Lana Parilla em Once Upon A Time, disse em um episódio recente não sai da minha cabeça: “você faz o seu próprio destino”. Com o perdão da palavra, é uma puta frase. E bastante verdadeira, se pararmos para pensar. A vida é cheia de obstáculos de diferentes graus e a maioria deles envolvem outras pessoas e talvez todas envolvam ou precisem de objetos. Fingir que a influência não existe é praticamente impossível. Com talvez a exceção do que o senso comum chama de louco, acho que nunca ouvi falar de alguém que tenha conseguido. Decidir se vai deixá-la agira me você, entretanto, é mais do que possível, é praticável. Não eu não hajam influências boas, claro que elas existem. Um filtro é tudo o que é necessário. E, notem, em nenhum momento eu disse que é fácil.

          Nossa, que volta! Comecei em Starships e termino com um filtro… Acho que isso é a vida: uma grande caixa sem fundo de reflexões infinitas. De uma coisa, contudo, eu tenho certeza (pelo menos agora), preciso ouvir músicas mais felizes.

Por isso, aqui estão algumas sugestões para vocês:
1 – Air Ballon – Lily Allen
2- Fuck You – Cee Lo Green
3- Happy – Pharrell Williams
4 – Treasure – Bruno Mars
5 – We are golden – Mika
6 – Hurts like heaven – Coldplay
7 – Celebration – Kool & The Gang
8 – Express Yourself – Madonna
9 – Wanna be startin’ somethin’ – Michael Jackson
10 – Walking on a sunshine – Aly & AJ