Spotlight – Segredos Revelados (2015)

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Continuando com os posts sobre os filmes indicados ao Oscar 2016, venho para vocês com Spotlight – Segredos Revelados. Preciso começar afirmando que foi um dos filmes que mais me intrigou de todos que assisti até agora – mais, inclusive, que O Regresso. Isso porque o quesito fantástico da história está dentro da própria humanidade e de um dos assuntos mais complicados que temos no planeta: a religião.

Baseado em fatos reais, Spotlight traz para o público uma história de abuso de poder, pedofilia e jornalismo. Na muito católica Boston de 2001, casos de pedofilia teriam sido acobertados pelo cardeal John J. Geoghan  através de décadas, mas as vítimas, ou sobreviventes como se denominam, nunca obtiveram força suficiente para ter justiça pelo que sofreram. Isso até caírem nas mãos da equipe Spotlight, do jornal Boston Globe, após novas pistas surgirem contra o cardeal acerca de um caso específico.

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Acompanhar a pesquisa que o time da Spotlight realizou no filme é quase como sentir na pele o que eles sentiram a cada descoberta. Em cada uma delas, os jornalistas Matt Carroll, Sacha Pfeiffer,  Walter V. Robinson e Michael Rezendes eram surpreendidos pelo poder político que a Igreja Católica obtinha no local, a ponto de sumir com documentos jurídicos e manipular a mente da população. Se religião já é um tema delicado e poderoso, somado a política parece invencível. Mas a Spotlight lutou com garras e dentes para provar que não é bem assim. Com uma pesquisa que pareceu durar cerca de dois anos, o jornal revelou o passado do aclamado e querido cardeal Geoghan protegendo padres em nome da conservação do seu status quo, assim como da Igreja.

A história espanta o espectador na medida em que nós percebemos quanta poeira foi empurrada para debaixo do tapete em nome da tradição e pelo medo de confrontar um líder religioso. Além de todo o acompanhamento do caso, com suas pesquisas, provas, audiências e impactos sobre a vida dos jornalistas, nós conseguimos enxergar o poder de uma comunidade unida. Quando uma população de determinado local decide manter a situação atual por comodidade ou medo, seja qual for, em benefício do conforto da realidade conhecida, não devemos subestimar o seu poder e a sua força. Acho que essa é uma das críticas mais poderosas do filme.

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Em matéria de atuação, a que mais mexeu comigo foi Mark Ruffalo, na pele do irritante e determinado Michael Rezendes.  Não é à toa que recebeu uma indicação a Melhor Ator Coadjuvante. Mas estamos cansados de saber que uma indicação ao Oscar nem sempre é justa. Como é o caso de Rachel McAdams no filme. Para mim, sua personagem é tão sem graça que ficou aquém da capacidade da atriz. De resto, acho que foi bem dirigido e produzido. Mas tenho minhas duvidas que ele possa ganhar como Melhor Filme…

A matéria causou um grande rebuliço no cenário católico de Boston e do mundo. Chegou, inclusive, a ganhar o Pulitzer. A partir dessa data, muitos casos vieram à tona – que foram citados ao final do filme. De qualquer maneira, a exposição do assunto é de grande importância para que possam nascer debates e mudanças em um cenário religioso de estilo de vida que muitos já consideram arcaico. Se você se interessou, a matéria está no site do Boston Globe. É só clicar aqui.

Um caso curioso sobre a repercussão do filme foi situado bem aqui, no Brasil. O padre acusado de pedofilia, mais especificamente abusando de adolescentes, na cidade de Franca, em São Paulo, disse que processará os produtores do filme por incluir o seu caso na lista. Essa é outra matéria que você pode ler aqui.

Spotlight é um dos meus favoritos e deixo como indicação para você. Se você está sem tempo, já assistiu a O Regresso e só dá para assistir mais um filme do Oscar, assista a esse. Você não vai se arrepender. Prometo.

posterFicha Técnica:

Título: Spotlight – Segredos Revelados | Diretor: Tom McCarthy | Elenco principal: Michael Keaton, Rachel McAdams, Mark Ruffalo, Stanley Tucci  | Indicações ao Oscar: Filme, Diretor, Ator Coadjuvante, Atriz Coadjuvante, Roteiro Original e Montagem.  | Ano: 2015 | Classificação: 4,5 estrelas | Adicionar ao: FilmowLetterboxd

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