Com que dinheiro?

Jar2 (1)

          Vou te contar uma coisa: vida de universitário não é fácil não, viu? Antes de entrarmos na faculdade não temos ideia de quanto dinheiro vamos gastar. Eu, graças a Deus, consegui passar para uma federal porque tenho a sensação de que, se precisasse estudar em uma universidade particular, teria que parar de comer para tirar xerox. E você acha que a pior coisa é a xerox? You poor thing… Na minha faculdade, tem muita gente de outras cidades, inclusive de Estados diferentes (Já falei da Clara, minha maranhense favorita, por aqui!). Viajar já é caro, mas se mudar é mais caro ainda. Achar uma casa, móveis, roupas: construir uma nova vida. Eu agradeço por não ter precisado passar por isso, mas muitos dos meus amigos precisaram e eu acompanho o quanto é complicado. Há sempre aquela sensação de estar abusando da bondade e da vontade dos seus pais, a correria para achar um emprego remunerado e os apertos de quem está morando sozinho pela primeira vez. Para ficar mais difícil ainda: alguns dos seus sonhos e vontades são adiados. Quem vai ter dinheiro para comprar, sei lá, uma câmera filmadora nova ou fazer uma viagem internacional quando tem que pagar as contas de luz e a internet? Você vê as contas chegarem, os professores pedindo xerox e aquele motorista de ônibus que você dá bom dia todo dia santo ou não. Todos eles estão sugando seu dinheiro. Já é o suficiente para entrar em parafuso? Acho que sim.

          Contudo, deixemos de ser tão pessimistas. Há as coisas boas apesar de pobre ser uma disgranha (ou desgranha? Cadê meu dicionário maranhense?). Ir para a faculdade representa uma nova fase, não é mesmo? Como toda fase é preciso enxergar os dois lados da moeda. Sim, você não terá dinheiro para ir a Londres visitar a Casa da Família Brontë, ou da Jane Austen, ou então, andar na London Eye, ou até mesmo só olhar para o Big Ben, ou então… Tudo bem, calma! Já deu para entender. Mas, você terá uma experiência que poucas vezes o dinheiro vai conseguir superar: autoconhecimento. São nos apertos da vida que você se reconhece e constrói e reafirma o seu caráter. Seja num aperto financeiro, seja num problema de saúde, o mundo pede por uma resposta de reação. São aqueles momentos em que você se pergunta ‘E agora?’. Não dá mais para esperar por um super-herói. Agora, você precisa ser o seu próprio herói. Além de auto conhecimento, você aprende, ou aprimora, a sua leitura das pessoas com quem você convive. Você aprende mais sobre o mundo e seus terráqueos. E esse aprendizado, que diga-se de passagem é eterno, fará com que você seja uma pessoa melhor e mais inteligente.

          Com toda certeza, dá um aperto no coração quando você vê que não sobrou muita coisa para colocar no cofrinho, e que seus sonhos vão ficar para depois, mas é preciso lembrar que você está vivendo outro tipo de sonho ali. Muitas vezes, esquecemos de valorizar as pequenas alegrias da vida. Precisamos prestar atenção que a piada entre os amigos, ou o abraço daquela pessoa que você gosta ou até mesmo um sorriso de um estranho pode iluminar seu dia. E nada dessas coisas custa dinheiro! Sim, o dinheiro é muito importante, mas está longe de ser o mais importante da vida! Por isso, preste atenção nos sorrisos ao seu redor, acolha quem está às lágrimas e guarde as melhores memórias para sempre! Nenhum dinheiro pode te dar ou tirar isso de você. E quando a vida perguntar ‘e aqueles sonhos caros lá? Você não vai se desesperar?’, você vira para ela e pergunta: Com que dinheiro? E ria.

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